.


"Ás vezes, me pego pensando que o mal do ser humano, é pensar demais. 
Durante essa última semana, fui dormir tarde á beça. Não sei em que momento, coloquei na cabeça que pra’quele deus grego gostar de mim, eu tinha que mudar minha personalidade.
Tentei de tudo, tomar café, ser menos estressada, não roer as unhas, não gritar com a minha irmã quando ela mexia nas minhas coisas, ouvir um tipo de música diferente, fazer uma dieta, mas tudo que eu dizia que tinha feito, ele assentia com a cabeça e dizia “legal”.
“Legal?” - eu refleti, “legal” não basta, tem que ser excelente!
Depois de tentar ser milhões de pessoas que definitivamente eu não era, desisti, e já cansada perguntei: 
— O que você quer? - e ele, todo doce, respondeu: — Casar com você!.
Claro que fiquei confusa, ele ali, já trabalhava, estudava, fazia um monte de coisas, e queria casar com a criançona que não sabe assinar um cheque e se estressava por tudo.
— Como isso?
— Algum problema?
— Ah, eu tava tentando mudar minha personalidade pra você gostar de mim.
— Como assim, amor?
— É, é isso mesmo.
Ele riu. E o som da sua risada, me aliviou.
— Amor, tanto eu, como você, vamos uma hora precisar adaptar várias coisas pra ficarmos juntos. Assim como tantos outros casais. Mas ninguém aqui precisa mudar a personalidade por isso. Tá? Vamos deixar isso bem claro. Amor, eu sou louco por você! Eu te amo!
— Mas mô, eu sou praticamente um bebê, sou estressada e infantil.
— Amor, você é o meu bebê. E eu amo esse seu jeito, de não levar desaforo pra casa. Mô, você é determinada, sabe o que quer mas ao mesmo tempo é frágil, precisa de cuidados. Eu amo você e você não precisa mudar. Principalmente pra eu amar você, porque eu te amo, mais que tudo nessa vida!
Fiquei feliz. Embora não tenha dormido naquela noite também. Fiquei ali pensando, que não merecia tanto amor, que não merecia tanta atenção e que não era digna de tanto carinho.
Foi aí que percebi que estava cometendo o mesmo erro: pensando demais.
Fechei o livro, me permiti um último pensamento “Se eu tenho, é porque mereço”, virei pro lado e adormeci, num sono profundo.
Quando acordei no dia seguinte, meu relacionamento ainda era á distância e eu ainda morria de saudade.
Mas é bom sentir saudade, não? De certa forma, ela te prova que você está assim, vivo.
Mas saudade é coisa abstrata. E em coisas abstratas, graças a Deus, a gente não perde tempo pensando."
Mayara Cristina (500kms)

Esclarecendo a Bíblia.


.


Olá, pessoal, como vocês estão?
Bom, estava jogava na cama da minha mãe esta tarde, tentando entender quem foi que ligou o aquecedor de São Paulo e esqueceu de desligar, quando ela achou no meio de um bolo de papéis, um texto impresso que achei bem mais que interessante.
Resolvi partilhar isso com vocês por dois motivos, primeiro que me lembrou alguém muito próximo a mim e segundo porque sou livre de preconceitos. (Na verdade, acredito que ninguém é totalmente livre de preconceitos mas isso é outro assunto, eu particularmente não tenho preconceito com coisas altamente relevantes, se é que me entendem...).
Ok, lá vai o texto:

Laura Schlessinger é uma personalidade do rádio americano que distribui conselhos para pessoas que ligam para seu show.
Recentemente ela disse que a homossexualidade é uma abominação de acordo com Levíticos 18:22 e não pode ser perdoada em qualquer circunstância. O texto abaixo é uma carta aberta para Dra. Laura, escrita por um cidadão americano e também disponibilizada na Internet.
“Cara Dra. Laura,

Obrigado por ter feito tanto para educar as pessoas no que diz respeito à Lei de Deus. Eu tenho aprendido muito com seu show, e tento compartilhar o conhecimento com tantas pessoas quantas posso. Quando alguém tenta defender o homossexualismo, por exemplo, eu simplesmente o lembro que Levíticos 18:22 claramente afirma que isso é uma abominação. Fim do debate. Mas eu preciso de sua ajuda, entretanto, no que diz respeito a algumas leis específicas e como seguí-las:

  • Quando eu queimo um touro no altar como sacrifício, eu sei que isso cria um odor agradável para o Senhor (Levíticos 1:9). O problema são os meus vizinhos. Eles reclamam que o odor não é agradável para eles. Devo matá-los por heresia?
  • Eu gostaria de vender minha filha como escrava, como é permitido em Êxodo 21:7. Na época atual, qual você acha que seria um preço justo por ela?
  • Eu sei que não é permitido ter contato com uma mulher enquanto ela está em seu período de impureza menstrual (Levíticos 15:19-24). O problema é: como eu digo isso a ela? Eu tenho tentado, mas a maioria das mulheres toma isso como ofensa.
  • Levíticos 25:44 afirma que eu posso possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, se eles forem comprados de nações vizinhas. Um amigo meu diz que isso se aplica a mexicanos, mas não a canadenses. Você pode esclarecer isso? Por que eu não posso possuir canadenses?
  • Eu tenho um vizinho que insiste em trabalhar aos sábados. Êxodo 35:2 claramente afirma que ele deve ser morto. Eu sou moralmente obrigado a matá-lo mesmo? 
  • Um amigo meu acha que mesmo que comer moluscos seja uma abominação (Levíticos 11:10), é uma abominação menor que a homossexualidade. Eu não concordo. Você pode esclarecer esse ponto? 
  • Levíticos 21:20 afirma que eu não posso me aproximar do altar de Deus se eu tiver algum defeito na visão. Eu admito que uso óculos para ler. A minha visão tem mesmo que ser 100%, ou pode-se dar um jeitinho? 
  • A maioria dos meus amigos homens apara a barba, inclusive o cabelo das têmporas, mesmo que isso seja expressamente proibido em Levíticos 19:27. Como eles devem morrer? 
  • Eu sei que tocar a pele de um porco morto me faz impuro (Levíticos 11:6-8), mas eu posso jogar futebol americano se usar luvas? (as bolas de futebol americano são feitas com pele de porco). 
  • Meu tio tem uma fazenda. Ele viola Levíticos 19:19 plantando dois tipos diferentes de vegetais no mesmo campo. Sua esposa também viola Levíticos 19:19 porque usa roupas feitas de dois tipos diferentes de tecido (algodão e poliéster). Ele também tende a xingar e blasfemar muito. É realmente necessário que eu chame toda a cidade para apedrejá-los (Levíticos 24:10-16)? Nós não poderíamos simplesmente queimá-los em uma cerimônia privada, como deve ser feito com as pessoas que mantêm relações sexuais com seus sogros (Levíticos 20:14)?
Eu sei que você estudou essas coisas a fundo, então estou confiante que possa ajudar. Obrigado novamente por nos lembrar que a palavra de Deus é eterna e imutável. Seu discípulo e fã ardoroso.”


Espero que reflitam. Um beijo!

Pessoal, momento reservado á uma causa importante!


.

Oi meu povo e minha pova!
Como estão?
Bem, passei para deixar um link de uma campanha muito interessante.
Este site, está recolhendo assinaturas de pessoas interessadas em acabar com o salário parlamentar acima da inflação!
Em minha opinião, seu minuto doado, não vai fazer falta!
Pessoal, é importante sabermos disso: vivemos numa democracia, mas se não acreditarmos nela, realmente nada mudará nunca.
Super apoio!
Para assinar e/ou colher mais informações sobre a campanhaacesse este link.
Um beijo, até a próxima!

Eu e o supérfluo.


.

Por um acaso, assim, bem por acaso, você já se pegou dando valor ás coisas erradas?
Talvez a adolescência, em geral a juventude, seja o tempo disso tudo. - não que isso me faça sentir melhor -.
É só que desenvolvi a teoria da discórida emocional e descobri o motivo mais popular do fracasso humano: não se pode dar valor a nada.
Simples teoria. Comprovada por:

  • Pessoas que amam e dão valor - e acabam sendo trocadas.
  • Pessoas que estudam a vida toda - e não passam em um vestibular super importante.
  • Pessoas que se dedicam á musica/teatro anos e são chutados de grupos teatrais.
  • E vários outros exemplos além de...
(Tan-Tan-Tan-Tan)

  • Pessoas que dão valor á uma amizade e fazem de tudo para seus respectivos amigos não fazerem merda.
E me diz, coisa linda, o que é que ele faz? Merda! Mas não é simplesmente merda, é merda soletrada com Caps Lock: M-E-R-D-A!
Aí veio a minha mãe tirar Tarô pra mim e dizer que eu não tenho um círculo de amizades e isso faz mal pra mim.
(Espaço reservado para esse palavrão aí mesmo que você pensou)
Cara, na minha geração só tem retardado. Juro!
Eu sinceramente acho que tenho um círculo bem interessante de amizade na minha estante, meus livros falam coisas bem mais úteis que o que esse povo hoje em dia.
Na minha época de escola (ano passado), meus amigos ouviam 3 tipos de coisa:
  1. Tchê tcherere tchê tchê,
    Tcherere tchê tchê,
    Tcherere tchê tchê,
    Tchereretchê
    Tchê, tchê, tchê,
    Gusttavo Lima e você.
  2. Nossa, nossa
    Assim você me mata
    Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego.
  3. Vou dormir la em cima na casa das prima
    La o whisky é do bom e as melhores menina.
Na primeira, podemos ver claramente, (aliás, tão claro como sabemos que a nova fase literária de Vinícius de Moraes foi marcada com a obra Cinco Elegias em 1943) como o tal do Gusttavo Lima tem criatividade.
Na segunda também, só que aí, quando você pensa que alguém pode criar uma música ruim, você não imagina que esse alguém seja o Michel Teló. Porque se for, ele vai precisar de ajuda até pra escrever algo ruim - pois é, se você não sabe, essa música não é dele e ele já foi processado por plágio - ou seja, ele é inteligente duas vezes, primeiro por não conseguir escrever nem esse lixo, e depois porque não teve nem a decência de comprar/pedir autorização pra tocar isso.
E a terceira é minha favorita. Porque a terceira, ela é muito inteligente.
Já dizem as piadinhas que rolam no Facebook, que "M.C é merda na cabeça" e que "não existe funk universitário porque a maioria parou na quarta série".
E então, é por isso que eu prefiro meus livros.
Porque tem gente tão linda, mas tão linda, que tem que ficar de boca fechada.
Legal, né? "Zumbis passando fome por falta de cérebro na sociedade".
Mas sem fugir da temática do Post: Eu até tenho amigos, mas minha natureza é muito solitária. Isso não vai mudar, é meu.
Pois é, isso tudo pra dizer que dei muito valor á coisa errada e que hoje só vou amar incondicionalmente minha cachorrinha!
Só isso. Ainda bem que a gente reconhece essas coisas e dá tempo de mudar, né?
Ainda dá tempo de mudar, melhorar e viver de uma forma diferente.
Viver "intensamente" (sem fumar maconha, claro), afinal, No Fim Eu Morro Mesmo ;)

Mulheres e Homens Apaixonados - Rubem Fonseca.


.


Loreta era separada do marido, uma separação traumática que a fizera jurar que nunca maisgostaria de homem algum, pois eram todos estúpidos, traiçoeiros e egoístas.
Não saía de casa, anão ser para levar a filha às festas infantis, frequentadas por poucos homens, sujeitos bonachõese entediados que pacientemente bebiam cerveja nas mesas enquanto as esposas tomavam contados filhos.
Mas ela sabia que quando voltassem para casa com suas mulheres agiriam com amesma brutalidade e falta de consideração do seu marido.
As esposas, para eles, não passavamde empregadas domésticas sem direitos trabalhistas.Luís frequentava as mesmas festas que Loreta.
Quando a mulher dele morreu, Luis não feznenhum juramento, mas deixou de se interessar por outras mulheres e dedicou-se a cuidar dafilha de oito anos, por quem fazia todos os sacrifícios, entre eles o de levá-la às festinhasinfantis, que ocorriam todos os sábados, da turma do colégio, das vizinhas, das amigas das vizinhas, das amigas das amigas do colégio - havia sábados em que a filha era convidada para mais de uma festa.
O juramento de Loreta já durava um ano, quando um dia notou a presença de Luís numa dessas comemorações infantis.
E, contra a própria vontade, sentiu-se atraida por ele. Mas Luís nem ao menos notava a presença de Loreta, embora se encontrassem frequentemente.
As filhas eram da mesma idade e cursavam a mesma escola.
Loreta percebia, não obstante o desvelo que demonstrava pela filha, que Luis não gostavadas festas infantis, o que era compreensível, pareciam infindáveis em suas seis horas de duraçãomédia, os alto falantes tocavam somente músicas barulhentas, os animadores eram pessoasincansáveis que inventavam brincadeiras e sopravam apitos estridentes, as luzes muitobrilhantes, as crianças gritavam, as mães falavam muito alto, era normal que Luís ficasse semânimo para levantar da cadeira, onde se quedava paciente e ensimesmado, logo ao chegar
Apesar de Loreta fazer tudo para chamar a atençao de Luís - as mães também entravam nasbrincadeiras, muitas até com mais entusiasmo do que as crianças -, ele não tomavaconhecimento da existência dela.
Certa ocasião, fingindo que dançava e cantava uma músicacomo refrão bum-chibum-tchibum-bumbum, ou coisa parecida, Loreta jogou-se em cima deLuis, que ouviu as desculpas de Loreta sem nem sequer olhar para ela.
A atraçào de Loreta por aquele homem calado e distante aumentava semanalmente.
Arranjava maneiras de sentar em mesas próximas à dele, pelo menos nisso a sorte sempre afavorecia.
Mas apesar de estar ali perto, Luís não notava que ela existia.
Um dia, Loretaderramou Coca-Gola sobre ele e começou a limpá-lo com o lenço que tirou da bolsa, e Luísapenas disse, pode deixar, não se preocupe, mal olhando para ela.
Loreta fez outras tentativas,tropeçou na cadeira em que Luís estava sentado, perguntou-lhe quem é que canta essa música,está calor, não?, e outras indagações bobas, mas ele continuou alheio absorto em seuspensamentos, apenas esboçando um sorriso melancólico.
Loreta, depois de um longo tempo, concluiu que todos os seus esforços eram em vão; e ela,que gostava tanto de dançar, passou a ficar sentada, chateada, comendo compulsivamente osdocinhos e salgadinhos servidos nas festinhas.
Uma amiga perguntou, o que está havendo comvocê? Não era uma das melhores amigas de Loreta, era apenas uma conhecida, as filhas estudavam no mesmo colégio, mas aquela pergunta caiu do céu, Loreta precisava aliviar o pesodo seu coração. Estou apaixonada.
Que coisa boa, até que enfim, disse a amiga, que se chamava Paula.
Mas ele não está interessado em mim.Isso é duro, querida, é a pior coisa do mundo.
Eu sei por experiência própria.
Lembra aquele rapaz que estava comigo na festa do sábado passado?
Loreta não lembrava, ela não via nenhum outro homem â sua frente a não ser Luis.
O nome dele é Fred, ele também não gosta de festa de criança, nenhum homem gosta,homem gosta de futebol e televisão, lembra do meu ex? Nunca foi a uma festa da própria filha. Mas Fred já me acompanhou várias vezes, e a filha nem é dele. Quando o conheci, ele não davabola para mim, mas eu disse, esse é o homem da minha vida, pode ser mais moço, tem dez anosmenos, mas vai ser meu. E consegui. Quer saber como? Se você quiser contar.Você não vai acreditar.
Vou.
Uma santa salvou a minha vida. Você vai achar que é uma feiticeira, mas é uma santa. Fui consultá- la e ela não jogou búzios, nem olhou nenhuma bola de cristal, nem cartas, nem nada.Você sabe que eu adoro essas madames que lêem mão e fazem previsões, tem uma na rua dapadaria, a madame Zuleyma, já fui lá, mas não valeu a pena. Mas essa, a mãe Izaltina, não se chama de madame-isso-ouaquilo, é só mãe Izaltina, e ela, depois de ouvir o que eu tinha a dizersobre o homem por quem estava apaixonada, puxou a pálpebra inferior do meu olho para baixo,como os médicos fazem para ver se a gente está anêmica, perguntou novamente como era onome do Fred e me pediu que trouxesse um pouco da cera do ouvido dele. Se eu conseguisseisso, ela me assegurou, o homem ficaria ainda mais apaixonado por mim do que eu por ele.Cera do ouvido? Que coisa mais maluca. Como é que você conseguiu a cera do ouvido?Esse foi o problema. Fiquei atarantada, sem saber o que fazer. Um dia, eu o vi num bartomando chope. Sentei numa mesa ao lado, indecisa. Estava me achando ridícula, me sentindocoroa e gordinha e resolvi pagar a minha conta e ir embora. Quando abri a bolsa, vi nocompartimento interno uma caixa de cotonetes. Nunca andei com caixa de cotonetes na bolsa,não sei como ela apareceu ali. Era uma coincidência muito estranha. Tirei um cotonete, mesentei na mesa dele e perguntei, posso tirar um pouco de cera do seu ouvido?
Que coisa horrível, você fez isso?
Eu estava desesperada.
O que foi que ele disse?
Ele olhou para mim, surpreso, mas logo riu, e respondeu, virando a orelha para mim, sirva-se, meu nome é Fred. Mas ele tem um dragão tatuado num braço e no outro um coração onde está escrito amor de mãe, esses caras com tatuagem de dragão e de amor de mãe são imprevisíveis, eu soube depois. Tirei a cera do ouvido dele com o cotonete, com muito cuidadopara não machucá-lo, agradeci e fui embora correndo. Dei o cotonete para a santa. Ela mandouque eu esperasse uma semana.Depois de uma semana, encontrei Fred na rua fingindo um encontro casual. Ele mesegurou pelo braço com força e disse, vamos tomar um chope. Nesse mesmo dia fizemos amor ea paixão dele é cada vez mais forte. Alucinante.Cera de ouvido?Quer o endereço dela? É na rua do Riachuelo, no centro da cidade.
Paula deu o endereço para Loreta, advertindo que a santa falava de um jeito esquisito.
Na segunda-feira Loreta foi ao endereço da rua do Riachuelo. Nunca havia ido para aqueles lados da cidade, só conhecia a Barra da Tijuca, onde morava, e um pouco do Leblon e  
de Ipanema. Achou as ruas feias, as pessoas malvestidas, ficou um pouco assustada, mas mesmoassim curiosa. Depois de algum tempo, descobriu algum encanto naqueles sobrados velhosostentando, nas fachadas, datas e figuras em alto-relevo.Subiu as escadas de madeira do sobrado da mulher a quem Paula chamava de santa. Bateuna porta, e foi recebida por uma figura que não lhe pareceu exatamente uma mulher, que não eragorda nem magra, ou melhor, tinha o rosto muito magro e o corpo volumoso, ou talvez apenas oseu peito fosse grande, pois os braços eram finos e normalmente quem tem braço fino tem pernafina. Seus olhos eram fundos, rodeados por olheiras roxas, as faces encovadas.Mãe Izaltina?Entra, misifia, disse a mulher, Loreta já tinha sido advertida por Paula que a mulher falava esquisito.Era uma sala cheia de móveis velhos, poltronas com estofos esfarrapados, cortinas escurase pesadas nas janelas, uma gaiola com um passarinho, uma televisão antiga.Senta, misifia, disse mãe Izaltina, seu coração está batendo muito forte. Loreta sentou-se. Sentiu que o seu coração estava mesmo sobressaltado.
Foi a Paula quem me falou da senhora.Unhum, resmungou a velha, como é o nome da misifia?O quê?Seu nome, misifia. Loreta.Unhum. E o do homem? Luis. Unhum.O rosto de mãe Izaltina deixou Loreta nervosa. Desviou seu olhar para a gaiola com opassarinho.Não é passarinho de verdade, misifia, mas ele canta, quer ver?Mãe Izaltina levantou-se acionou um mecanismo ao lado da gaiola e imediatamente opassarinho começou a cantar. Depois, enquanto o passarinho cantava, mãe Izaltina aproximou-se e colocou as duas mãos abertas sobre a cabeça de Loreta, que apesar de assustada ficouimóvel.Me deixa ver, me deixa ver, disse mãe Izaltina apertando as mãos, desarrumando oscabelos de Loreta, unhum.Depois de resmungar mais um pouco, mãe Izaltina passou a mão no rosto, no pescoço, nosbraços, nas pernas e no peito de Loreta, que pensou que desmaiaria.A pele, misifia, ganha do cabelo, a pele ganha do olho, a pele ganha dos dentes, a peleganha de todas as coisas que brilham ou que não brilham, que aparecem ou que se escondem nocorpo. Existe dente postiço, cabelo postiço, olho postiço, tudo isso você compra na loja, menosa pele.Essas palavras Loreta entendeu, mas mãe Izaltina aos poucos começou a falar com a línguaenrolada coisas incompreensíveis, com exceção do misifia, repetido várias vezes, que Loretatambém não sabia o que significava.É isso ai, misifia, disse mãe Izaltina encerrando sua falação.Desculpe, mãe Izaltina, isso o quê, não entendi direito.Misifia, você tem que fazer xixi na perna do homem, em cima do joelho.Não entendi, repetiu Loreta, confusa.Você tem que fazer xixi na perna do homem, em cima do joelho. 
Por um longo momento Loreta ficou calada, sem saber o que dizer, fingindo que olhava para a gaiola do passarinho.
Não dá para ser cera de ouvido?, perguntou, afinal.
Misifia, cera de ouvido é para outro tipo de homem. O seu é diferente. Senti o homem quando passei a mão na sua cabeça e no seu peito, que são os lugares onde ele se alojou.
E agora?
O que é, é. Agora, misifia quer ir embora, seu corpo está envolto em fumaça, estou vendo,é uma fumaça cor de carambola, é assim mesmo. Quer tomar um copo de água?
Quanto é que eu lhe devo?, perguntou Loreta, abrindo a bolsa.A gente depois conversa, misifia, quando tudo der certo.Loreta desceu as escadas, saiu e andou pelas ruas como uma sonâmbula. Afinal encontrou um táxi.
Sou uma idiota, pensou, quando viu o mar da janela do táxi.Chegando em casa, procurou o telefone de Paula, mas não o tinha anotado. Ligou para ocolégio das meninas, onde conseguiu o número.Paula, aquela velha é maluca. Teu caso deve ter sido uma coincidência.Não é maluca não, é uma santa. Tem outros casos. Conhece a Lucinha? Ela também queria enlouquecer um homem e procurou a santa. Hoje o cara vive nos pés da Lucinha, de joelhos. A Lucinha é casada!O que tem isso? Vai dizer que quando era casada você não pulou a cerca, pelo menos uma vez? Nunca.Pra cima de mim? Eu pulei, e não foi uma vez só. Olha, essa história da Lucinha fica entrenós, se o marido dela sabe do caso mata os dois, dizem que já matou um, quando moravam em Mato Grosso. Não fala com ninguém, promete.Vou falar para quem?Sei lá. Eu não falei para você?Já disse para não se preocupar. Quer que eu jure?Calma. O que foi que a santa mandou você fazer? Cera de ouvido? Com a Lucinha foi umameleca, você acredita? Um pedacinho de meleca. Imagina o que a Lucinha sofreu, para arranjarum pedacinho de meleca do nariz do homem. Eu tive sorte com a cera de ouvido.Apesar de o xixi ser menos ridículo e até menos nojento do que a meleca, Loreta não teve coragem de dizer para Paula que a santa tinha mandado ela urinar no joelho de Luís, como forma de encantamento. E além de tudo, Paula era uma boquirrota, ia depois contar para todomundo. Loreta já estava arrependida de ter usado Paula como confidente.Não, ela não me mandou fazer nada. Disse que vai pensar e depois me diz.Vai pensar? A santa resolveu o meu problema em cinco minutos. O seu deve ser complicado. Você é uma mulher complicada, não sei se ele também é, mas você é uma mulher complicada. Deve ser isso.Ela não cobrou nada. A santa só cobra depois que tudo dá certo. Mas aí mete a mão. Não sei o que faz do dinheiro, a casa dela está caindo aos pedaços.
A entrevista de Loreta e mãe Izaltina aconteceu numa segunda-feira. No sábado haveria umaniversário de criança no salão de festas de um dos prédios do condomínio, e certamente Luís compareceria com a sua filha  
Meu Deus, disse Loreta, na manhã de sábado, se olhando no espelho, duas noites sem dormir, olha como o meu rosto está horrível, mais um pouco eu ia ficar com a cara daquelabruxa. Aquela bruxa era mãe Izaltina, a santa de Paula, que lhe dera uma tarefa impossível deser cumprida. Como é que poderia fazer xixi na perna de Luís? Tirar a cera do ouvido é uma coisa, mas como chegar perto de um homem qualquer homem, por mais tatuado que ele fosse, eperguntar, posso fazer xixi no seu joelho? Na tarde daquele sábado, Loreta chegou arrasada na festinha infantil. Colocara toda amaquiagem possível de ser usada num fim de tarde sem ficar parecendo uma das muitas peruasque estariam presentes e usava o seu vestido mais provocante, um que mostrava o contorno dassuas cadeiras e do seu bumbum, que milagrosamente permanecera pequeno e firme. Mas Luís não olhou para ela, nem sequer uma vez. Como fazer aquela coisa horrível que mãe Izaltina tinha mandado? Impossível. Loreta teve vontade de morrer e ficou a festa inteira se enchendo dedocinhos, salgadinhos e refrigerantes.Quando a mulher de Luís morreu, ele deixou de se interessar pelas outras mulheres, até conhecer Loreta numa festa infantil. Ele odiava festas infantis, as músicas, os enfeites dossalões, os animadores, as crianças, as mães das crianças, os salgadinhos e docinhos, tudo. Mas asua filha sempre fazia uma choradeira danada e ele dizia, está bem, vou te levar mais uma vez,mas é a última, não vou mais ceder à sua chantagem, pode chorar até derreter que não adianta.Claro que acabava cedendo, e levava a filha para as festinhas, sentava numa mesa praguejando com os seus botões, cambada de filhos da puta, e isso englobava mães, animadores,garçons, babás e crianças, excluída a filha dele. Até que viu Loreta, e apaixonou-se por ela, algoque julgava impossível de acontecer, depois que sua mulher morreu. Luis não era um homem dado a leituras, a não ser daqueles livros de pensamentos emáximas, muitas das quais ele conhecia de cor, por conterem verdades eternas. Uma delas erade Miguel de Cervantes um velho escritor espanhol: a inclinação natural da mulher é desdenhar quem a quer, mas amar quem a despreza. Assim, aquela mulher não poderia saber que ele estavaapaixonado por ela. Como conquistála? O certo é que não poderia correr o risco de Loretadescobrir o amor que sentia, isso botaria tudo a perder, como o mestre espanhol alertava do altode sua sabedoria.Depois de ter encontrado Loreta, o comportamento de Luís mudou. Já na quinta-feira, àsvezes ate mesmo na quarta, ele perguntava para a filha, vai ter festa no sábado?, quer um vestidonovo? Chegando na festa procurava sentar numa mesa próxima da mulher por quem seapaixonara, o que era fácil, pois o destino parecia colocá-los sempre em mesas contíguas. Mantinha-se indiferente, reservado, repetindo mentalmente o aforismo do espanhol, com um arapático, que ensaiava na frente do espelho, não obstante seu coração batesse desenfreado otempo todo. Loreta, esse era o nome dela, também parecia não notar a presença dele, uma ocasião pisara no seu pé, em outra derramara um copo de Coca-Cola na roupa dele, era umamulher de aspecto sonhador, havia alguma coisa de sublime nela, mesmo quando dançava asmúsicas da moda que eram vulgares. Mas ele notara que, ultimamente, Loreta permaneciasentada, empanturrando-se de doces e salgados. Tinha vontade de lhe dizer para não comer aquelas porcarias, que o corpo dela era muito bonito, que ela ia engordar, ficar bunduda, como a maioria das mães naquelas festinhas, e como dizia Samuel Johnson, quem não presta atenção à sua barriga não presta atenção a mais nada. Ou seja, é preciso saber comer, comer não é umacoisa para se fazer distraidamente, como as pessoas fazem ao comer salgadinhos, docinhos edemais porcarias, comer tem que dar prazer e não apenas fazer a barriga crescer, a bunda crescer, os peitos crescerem, e a mulher que não vê isso não vê mais nada, não vê que a sua vida  
foi destruída. Mas isso era uma conclusão dele, o Samuel Johnson não chegara a tanto, mas amaneira certa de entender uma máxima era desenvolvê-la conforme o bom senso e a experiênciade cada um.Luís não conversava com ninguém nas festas infantis; planejava o recurso engenhoso queiria utilizar para estabelecer um contato promissor com Loreta. Como dizia o mencionado espanhol, amor e guerra são a mesma coisa, estratagemas e diplomacia são permitidos tanto emum como no outro. Mas qual seria o estratagema? Um dia, um sujeito cabeludo pediu licença e sentou-se na mesa de Luís.Você não tem vontade de esganar essas criancinhas todas?, o cabeludo perguntou.A minha filha está entre elas.Está bem, tiramos sua filha da lista, eu não sei quem é, mas deve ser uma boa menina.Porém as outras diabinhas nojentas, diga a verdade, não dá vontade de esganar? Luís entrou no jogo do maluco.Não seria melhor colocá-las numa jaula? Elas iam continuar gritando do mesmo jeito.Isso é verdade. Enjauladas e amordaçadas, que tal? Já melhorou. Meu nome é Fred.Luís, muito prazer.Tenho visto você sempre macambúzio, sentado sozinho numa mesa, sem olhar para asmulheres, Isto aqui é um viveiro, cara, está cheio de mulher dando sopa, não pode marcarbobeira. Qual é o problema? Está apaixonado e a mulher não te dá bola? Só vejo mulheres que não me interessam, disse Luís. Quer dizer - ele curvou-se e sussurroupara Fred -, esta lourinha aqui do lado até que eu acho interessante.Fred olhou de soslaio. Sei quem ela é, o nome é Loreta. Companheiro, essa mulher é uma sebosa, fria, frígida como diziam antigamente. Àsvezes, até desconfio que é uma espécie de sapatão. Escolhe outra.Mas eu não quero nada com ela, disse Luís. Só perguntei por perguntar.Na festa seguinte, Luís se encontrou novamente com Fred. Ele estava na mesma mesa deLoreta com outra mulher. Houve um momento em que as duas se ausentaram e Fred foi falar com Luís. A mulher por quem você está gamado freqüenta esta roda aqui? Não, ela, ela é de São Paulo.Tem umas paulistas legais, cara, E a paulista não te dá bola? É, não me dá bola.
Você viu o mulherão que estava na mesa comigo? Não estou falando da lourinha sapatão.Ela não parece sapatão.Mas é no mínimo frígida. Mas a outra, você viu? Você viu? Pitéu de quinhentos talheres,cara. Pois eu estava enrabichado e ela não me dava bola e aí mexi os meus pauzinhos. Depois que usei o macete, na primeira vez em que nos encontramos, ela praticamente me arrastou para a cama. Mas tive que mexer os meus pauzinhos. Mexer que pauzinhos? Fui numa mulher, uma feiticeira, que faz as pessoas se apaixonarem. Fui lá, contei o meu drama, nem contei tudo, a feiticeira é uma águia. Fiz o que ela mandou, e sabe o que era? Não.A bruxa disse que eu devia fazer a mulher tirar cera do meu ouvido, eu respondi, como éque posso conseguir essa façanha que me parece impossível, e a velha feiticeira respondeu  
nada, você não tem que fazer nada. E foi o que eu fiz, nada. Não se esqueça que Paula nem queria saber de mim. Um dia eu estava quieto no bar ela chegou e tirou cera do meu ouvido comum cotonete e saiu correndo. Quando nos encontramos novamente, fomos direto para a cama.Paula está tresloucada de amor por mim. Quer o endereço da bruxa? Fica na rua do Riachuelo,no centro. O nome dela é mãe Izaltina. Mas vou avisando, ela fala esquisito, muitas coisas agente nem entende. E apresenta a conta só depois de fazer o milagre.Luís foi procurar mãe Izaltina, na rua do Riachuelo. Ele conhecia bem aquela vizinhança.Antes de morar na Barra, residira ali perto, no Bairro de Fátima, mas depois foi melhorando devida e do Bairro de Fátima passou para a Tijuca, da Tijuca para Botafogo, e de Botafogo para a Barra.Mãe Izaltina abriu a porta.Entra, misifio. Senta ali.Ele sentou-se, constrangido, sem poder encarar a bruxa. Era uma mulher magra e cheia de pelancas e seus olhinhos fundos pareciam de um bicho que ele vira na televisão.Quem foi que falou de mim, misifio?Um amigo meu chamado Fred. Unhum. E como é o seu nome, misifio?Luís.Unhum. E o da moça? Loreta. Unhum, unhum, disse Izaltina, olhando, pensativa, para uma gaiola de passarinho, queparecia doente. Ficou algum tempo calada.Mostra a língua, disse afinal mãe Izaltina.A língua?É.Essa coisa que misifio tem na boca.Luís pôs timidamente a língua pra fora.Mais, mais, não deu pra ver tudo, misifio.Luís abriu a boca e exibiu, o mais que pôde, a língua. Mais que isso não dá, disse, sem fôlego. Misifio, o seu problema é sério.Eu sei, ela nem nota que existo.Misifio, a mulher vai ter que fazer uma coisa com você.Não entendi.Ela vai ter que fazer uma coisa com você.Uma coisa comigo?
Xixi na sua perna, em cima do joelho.
O quê?
Misifio ouviu muito bem o que eu disse.
Fazer xixi na minha perna?
Bota a língua pra fora de novo, misifio.
A bruxa encostou os dedos na língua de Luís, rapidamente, um após o outro, como seestivesse tocando piano ou sujando os dedos de tinta para tirar impressões digitais. Ele sentiuvontade de vomitar. Tá confirmado, misifio, a moça tem que fazer xixi no seu joelho.Que absurdo, como é que eu vou conseguir uma loucura dessas? 
Pede, vai lá, fala com ela e pede, misifio. É uma mulher fina, recatada e idônea, não posso pedir uma coisa dessas a ela.O que é, é, disse mãe Izaltina. Luís queria sair dali o mais rápido possível. Tirou a carteira do bolso. Depois a gente conversa, misifio, disse mãe Izaltina, afastando, com um gesto, a carteira.Na rua, Luis entrou no primeiro bar que encontrou. O sujeito tinha que ser um idiota supersticioso para acreditar nas baboseiras daquela velha demente. Ele se orgulhava de ser um cético, e superstição, como dizia um filósofo cujo nome não lhe vinha à mente, superstição é a religião dos débeis mentais. Ele se comportara como um bestalhão imbecil, indo consultar aquela vigarista. Safada e louca varrida! Mandá-lo chegar perto de uma mulher fina, decente, epedir, a senhora podia fazer o favor de urinar no meu joelho? No ano seguinte, Luís mudou a filha de colégio e deixou de ir às festinhas infantis, não queria correr o risco de encontrar Loreta, precisava esquecê-la. Mas passou o resto de sua vida pensando nela, triste e melancólico.Loreta continuou indo, as mães têm que levar as filhas nesses lugares. Não conseguia esquecer Luís, a quem sempre esperava encontrar novamente. As festinhas se tornavam mais barulhentas, mais cheias de enfeites, de luzes, de comidas, bebidas, animadores histéricos, alto-falantes ensurdecedores, crianças inquietas, homens falsos e mulheres vulgares. Pelo menos osdoces e salgadinhos estavam cada vez mais gostosos.


Quando você cresceu?


.


Você é pequeno, faz coisas de gente pequena (não que eu necessariamente saiba o que vem a ser "coisas de gente pequena" porque tem gente que mesmo grande, é pequena, mas enfim) e de repente, quando vê, já cresceu.
E sente falta. Sente falta de ser pequeno, vive nostálgico com as lembranças da infância e fica colocando essas fotinhos no Facebook, como quem diz "Ah, na minha época não existia gel antisséptico, Iphone e blá, blá, blá" como se você não quisesse um Iphone e não fosse muito mais fácil sua vida com a expansão da tecnologia, mas tudo bem. (Mas olha, se você posta essas fotos, isso não é legal, tá? Sério!)
Quando você sai da escola, é um dos sentimentos mais estranhos da vida. Pelo menos pra mim foi.
Cada um vai para um lado, parece que seus amigos não se importam mais com você e esses juramentos de "Best Friend Forever" meio que acabam, ou são substituídos, se não para sempre, ao menos temporariamente por trabalhos da faculdade, serviço ou até mesmo filhos - mas isso não ocorre tanto, tão cedo.
Então quando você volta, mesmo que no próximo ano, parece que seus antigos professores não vêem há anos e que você é um ser totalmente fora daquele ambiente, como é a expressão? Ah sim! "Um peixe fora d'água".
Mas quando você tem esse tipo de pensamento: "Que saudade da infância", "Que saudade da escola" ou "Eu era feliz e não sabia", como você sabe quando cresceu?
Como diria minha mãe: o tempo voa. E ela tem razão...
Quando eu era pequena, eu era maluca por praia e piscina. Parecia até peixe. Quando saía da água, meus olhos estavam vermelhos, eu já estava super cansada e com aquela pele toda enrugadinha, sabe?
E também me lembro, que comia doce feito doida.
Claro que chocolate ainda cura minha TPM e uma tarde na piscina, é legal.
Mas como era de se esperar quando você cresce, as coisas mudam.
Você não come mais muitos doces porque engorda e não fica mais tanto tempo na água porque quer "pegar uma cor" e sofrer de amor deitada na areia, rs.
Aí sim você sente vontade de voltar no tempo.
Claro que falando assim, parece que eu sou super velha e já vi muito na vida a ponto de querer voltar pro primeiro amor, o primeiro beijo e etc.
Mas o recado é: Eu aprendi com meus pais, que deve-se pensar muito antes de fazer algo grandioso.
Mais ou menos assim, o tamanho do problema é mais ou menos a quantidade de tempo que você deve gastar pensando na solução. Pra não fazer besteira.
E como a gente faz besteira na vida!
Reclama que não amam a gente, como se o problema fosse a pessoa e não a nossa forma de amar.
Que não entendem a gente, como se o problema fosse a compreensão e não a forma de se expressar.
Porque no fundo, no fundo, o ser humano sempre vai achar uma forma de se fazer de vítima e colocar a culpa em outra pessoa, mas isso é outro assunto...
Bom, moral da história: cuide do seu tempo antes que ele cuide de você - da forma dele.
Aproveite a vida e dê prioridade ao que você acha que merece, e não o que julgam certo ou errado.
Doe seu tempo ás causas que você julga importantes e etc. Só isso. Seja feliz! Dá trabalho, mas vale a pena!

Você é o inverso de seus pais?


.


Dia desses, estava eu, indo visitar uma amiga, no meu antigo endereço, quando escuto alguém me chamar de "linda".
Minha primeira reação obviamente, foi olhar em volta para ver se o maluco cego, estava mesmo falando comigo. Quando me dei conta que não havia mais ninguém na rua, virei e me deparei com um rapaz, que vejo naquela rua, no portão do meu ex-prédio, desde que me conheço por gente.
- Linda! Você por aqui! Ai, eu perdi seu número!
Nesse ponto, claro que ele me confundiu com alguém.
- Você nunca teve meu número.
- Claro que tive! Você me passou um dia desses.
- Ah, aham, claro.
- Me passa de novo?
Taí um defeito meu, que em hipótese alguma herdei de meus pais: eu não sei dizer "não".
Pode me chamar de fraca, de boba, de tudo, mas eu não sei dizer não ás pessoas.
E isso me irrita! E muito!
Claro que quando passei meu número pra ele, troquei 2 dígitos, mas foi a forma que encontrei de não dizer á ele: - Olha moço, eu estou com pressa, de conheço de outros carnavais, nunca te dei meu número, não vou cair nessa sua ladainha e eu tenho namorado, tchau.
Ele vai descobrir que aquele não é meu número, mas eu não vou precisar negar nada á ninguém.
Isso é patético, eu sei, me desculpe, mas não tem jeito, eu me sinto muito mal de negar algo para alguém.
Esse é por sinal, um fato engraçado sobre o ser humano, somos, geralmente, diferentes de nossos pais.
Aqui em casa, geralmente meus pais brincam que aquela música "Rebelde sem causa" do Ultraje a Rigor, é minha. (Quem gostar ou quiser conhecer, vou colocar aqui embaixo)
Meus pais sempre foram muito liberais, e rockeiros de tudo.
Eu amo, adoro Rock, mas nunca adotei o estilo, só o gosto musical mesmo. E sou, admito, meio careta.
Ou seja, diferente deles. Principalmente de minha mãe, que quando precisa negar algo, não tem nem dó, nem piedade.Chato, não? Porque será que nossos pais são (na maioria das vezes) nossa inspiração, nosso exemplo e tal, mas não somos parecidos com eles?
Bom, o jeito é tentar melhorar isso aos poucos. Acho que vou ficar uma hora na frente do espelho repetindo "não", vai que assim funciona.
E você? Se parece com seus pais? Não? Comente aí embaixo ;)

(Rebelde Sem Causa - Ultraje a Rigor)

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...